22.6 C
São Paulo
sexta-feira, 6 novembro, 2026
InícioNotíciasFamílias bolivianas deixam ocupação no Bom Retiro e encontram abrigo em hotel...

Famílias bolivianas deixam ocupação no Bom Retiro e encontram abrigo em hotel social: “Não vamos ficar na rua”

Jenny, imigrante boliviana e mãe de uma criança com deficiência, relata a dificuldade de pagar aluguel em São Paulo e a esperança de estabilização após a reintegração de posse de imóvel na Rua José Paulino

São Paulo, 05/11/26 às 16:51h

A Polícia Militar (PM) cumpriu, nesta quarta-feira (4/11), uma decisão judicial que determinou a reintegração de posse de um prédio na Rua José Paulino, no bairro do Bom Retiro, centro de São Paulo. Cerca de 18 famílias tiveram que deixar o local, entre elas seis famílias bolivianas que viviam na ocupação.

Google search engine
ambulancia3
foto – Eduardo Schwartzberg

Entre os moradores está Jenny, imigrante boliviana e mãe de uma criança com deficiência. Em entrevista ao jornalista boliviano Eduardo Schwartzberg, ela contou que chegou ao imóvel por indicação de uma amiga boliviana que precisou voltar ao país de origem e lhe cedeu o espaço. “Ela me conhece, sabe que eu tenho filha com deficiência, que pago aluguel muito caro aqui no Brasil. Quando você é imigrante, o aluguel é muito alto”, relata.

Jenny explica que a burocracia para conseguir uma casa ou apartamento em São Paulo torna a situação ainda mais difícil para imigrantes e mães solo. “Para buscar um apartamento ou uma casa em aluguel você tem que ter um valor alto na conta ou uma garantia de uma pessoa. São pelo menos três meses de depósito, uns 8 mil reais, o que vale uns 12 mil bolivianos. E isso se a imobiliária aprovar”, diz.

ambulancia
foto – Eduardo Schwartzberg

Segundo ela, a ocupação reunia famílias em situação de vulnerabilidade. “Éramos seis famílias bolivianas, imigrantes, e os demais eram brasileiros. Havia mães solteiras com filhos, famílias com crianças com deficiência. É muito difícil quando você é mãe solteira e tem um filho com deficiência aqui no Brasil”, afirma.

Consulado não procurou as famílias, diz moradora

Questionada se o consulado boliviano entrou em contato para oferecer ajuda, Jenny respondeu que não. “A verdade é que não. Como já vivo um pouco de tempo aqui no Brasil, sei que em outros lugares acontece o mesmo. Não é só aqui”, diz.

Google search engine

Sobre o futuro, ela conta que as famílias estão sendo encaminhadas pela assistência social a um hotel social, com comida e abrigo. “Nós também não sabíamos disso, pensamos que íamos viver na rua. O hotel social está nos encaminhando a assistência social, a cada família vão dar comida, tudo. Graças a Deus temos onde ir”, relata.

A permanência no hotel social ainda não tem prazo definido. “Vamos ver se eles nos conseguem até poder nos estabilizar, até poder ter a cabeça fria para ver onde vamos, o que fazemos. Ainda não há uma solução, mas vamos estar lá. Pode ser seis meses, por aí”, estima.

Advogado relata momentos de tensão durante a ação

Ao Metrópoles, o advogado Tiago Guilherme, que presta apoio às famílias, contou que os agentes envolvidos na reintegração foram “mais agressivos” em alguns momentos. “Presenciamos um momento em que o coronel começou a pressionar a tenente que estava conduzindo a ação, falando que tinha que ser muito mais rápido. E aí começou a ter uma postura muito mais agressiva com os moradores”, disse.

Segundo o advogado, havia uma mobilização prévia dos moradores para evitar a reintegração, mas o movimento foi descontinuado após os moradores ouvirem que a polícia iria usar força se fosse preciso. Ele destacou que há muitas crianças no local, inclusive com deficiência física. A PM informou que a ação ocorria de maneira pacífica até o momento da publicação.

 

pdf

Com informação:
Eduardo Schwartzberg
metropoles.com/sao-paulo
Fotos – Eduardo Schwartzberg

Google search engine
Google search engine
Artigos Relacionados
- Publicidade -
Google search engine

Mais populares